sábado, 19 de janeiro de 2008

Onde é que há lugar e tempo para falar de amor?

No nosso mundo o amor tem um estatuto bizarro. Para além de todos os vínculos que designamos de amorosos e que nos ligam a pessoas tão significativas como os pais, filhos ou amigos de sempre, temos que ter relações electivas e privilegiadas em que a dimensão do ser homem ou do ser mulher tenha espaço de expressão e de confirmação. Por outro lado, ficamos sem jeito quando os amigos já com impecáveis fatos e as amigas bem penteadas e com unhas de gel se desfazem em lágrimas na mesa de uma restaurante… simplesmente porque o seu amado(a) partiu.. foi-se embora, simplesmente, desapareceu. A coisa não melhora por serem mais jovens, menos vividos e com crises agudas de ansiedade, a convicção de que a vida vai colapsar e o mundo vai desfazer-se existe na mesma… é isso o que tenho visto nas últimas semanas…. Faço as contas, observo e analiso… a verdade é que ficamos sem saber o estatuto que deve ter o amor, o lugar que é suposto ocupar nas nossas vidas, as modalidades expressivas que são adequadas para não cairmos no ridículo e fazer figura de pinga – amores ou pelo contrário de insensíveis e desinteressados. O mais complicado é perguntar-nos onde é que há lugar e tempo para falar de amor? – Por favor não me digam que isso é apenas necessidade de poetas velhos!!

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