quarta-feira, 30 de julho de 2008

Exterior vs Interior..


Qual é o ponto de intersecção? O exterior e o interior é exactamente o mesmo? Por mais que tente procurar uma divisão resulta-me difícil. Desde o meu ponto de vista não existe nenhum ponto de intersecção, não existe um ponto onde acabe o mundo interior e comece o exterior. O nosso mundo interior e o nosso mundo material parecem pertencer ao mesmo contínuo. Com o campo mental e o campo emocional acontece exactamente a mesma coisa. Do nosso campo mental apenas somos conscientes de uma pequena parte, que chamamos a “minha” mente, pensamentos, ideias. No entanto, não existe estritamente nada que separe as minhas ideias dos outros; tudo forma parte de um campo contínuo. Do nosso campo afectivo, aquilo que chamamos de clima afectivo é também uma parte de nós. Uma parte que está em constante comunicação com o mundo exterior. Não há nada que limite a “minha” afectividade da afectividade. É como um mar, um oceano. Nós somos apenas conscientes de uma pequena parte do mar. Toda separação que tentemos fazer entre actividade exterior e actividade interior resulta-me artificial. Tudo aquilo que é externo e tudo aquilo que é interno dependem do lugar em que nos situemos, do lado por onde estamos a ver. Afinal falamos de tudo aquilo que é externo a quem? A NÓS próprios? Todo objecto é externo ao sujeito. Nesse sentido, o verdadeiro sujeito é quem está por trás de tudo. O verdadeiro sujeito existe? Tudo é um objecto. O sujeito é uma não-coisa? O sujeito é algo que está mais além das categorias? Mais além da própria existência das coisas? Se eu me considero um ser constituído pelos conteúdos da minha consciência, posso chegar a descobrir que todos os conteúdos da minha consciência são “eu” próprio. Eu posso ser um aspecto existencial, um aspecto manifesto. E então quem sou eu? Sou Andreina ou sou uma cadeira, uma montanha, um lápis ou uma mesa? Estas coisas todas são conteúdos da minha consciência. A minha consciência se expande cada vez mais, mais e mais.. e toda a distinção que eu tente fazer entre quem sou e quem não, é apenas uma distinção mental, artificial, teórica. Na verdade, a minha consciência abarca aquilo que eu chamo “Andreina, mesa, lápis, cadeira.. ”. A minha consciência é tudo mas o meu corpo é algo que existe dentro dessa consciência. Não é como erroneamente muitos podem pensar, essa ingénua ideia de que “eu sou meu corpo”. Utilizamos esse corpo constantemente como ponto de referência para nos situarmos, para situar os fenómenos, as realidades e obviamente os valores. Mas afinal quem sou eu e quem és tu?

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