sábado, 29 de novembro de 2008

A chuva..

Os dois dias consecutivos de chuva anunciam que o Inverno já chegou; dias deprimentes que parecem prolongar-se. Dias de chuva fria que batem e contemplam às janelas inquietas da minha alma ao destilar água. A luz que aquece e o frio inóspito do Inverno começam mais cedo. Sólido como pedra, todos nós conhecemos… é o frio perfeito para mais um momento na cama. Um excelente companheiro para quem não tem mais nada para fazer que contemplar um sonho profundo inesperado. Sem dúvida, o frio faz-me sentir mais velha, com ele não me apetece fazer absolutamente nada. Nesta altura o frio faz o seu melhor com todos nós, incluso com as árvores… Contemplo nas ruas as árvores despidas e parecem ter firmeza, fortaleza e frieza. Vejo a tristeza delas, vejo como ficam desprovidas das folhas que estiveram alimentando-se das suas raízes e vejo como as mesmas folhas são as que alimentam essas raízes. Tudo faz parte de um belo ciclo. As árvores aguentam até as piores adversidades.. Pensando bem, aguantam como nós o estado inútil do frio e continuam aí, agarradas ás suas raízes e crescendo. Elas aprendem como nós que há outras formas de sobrevivência… 

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Reflexos de um delicado beijo..

 
… falta-me a frase para melhor começar.. penso nos dias e nos ápices da nossa relação. Penso e não encontro as palavras precisas que possam descrever o que significa estar contigo a cada instante. Há algo de extraordinário neste minúsculo mundo que nos separa. Telepatia? Coincidência? Casualidade? Não sei.. Apenas acredito que precisamos muito pouco ou quase nada para poder sentir-nos um ao lado do outro. Respiro contigo ao mesmo ritmo.. Respiramos um do outro e sentimos a articulação do nosso diafragma com cada milésimo de segundo. Momentos curtos, cronometrados mas completos; minutos que adormecem na lente da memória e segundos que guardam os traços de um rosto e um olhar sincero penetrante. Estás sem estar e estás porque queres estar. Estas em cada despertar, cada hora do dia e em cada pensamento de maior felicidade... Nesta particular forma de “estar” por vezes surgem os reflexos de um delicado e cuidadoso beijo. Um beijo em tempo real que conjuga a afabilidade de saber beijar e expressar o afecto por alguém. São beijos à medida estreita que acoplam o sentir do côncavo e do convexo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sonhar acordada...


Fecho os meus olhos e na transparência de um dia quase esgotado entrecruzo-me com linhas incompletas; um desafio ainda por cumprir da minha grande amiga Zlati. Uma chávena de chá e uma fatia de bolo são os meus acompanhantes predilectos nesta travessia pelos meus pensamentos e desejos mais íntimos. Tento numerar apenas aqueles sonhos que serão mais significativos e sinto dificuldades. São muitas coisas as que eu adorava poder fazer, dizer ou tal vez chegar a ser. Encontro-me tentando numerar aquilo que seria um exercício fácil de se fazer. Encontro-me sonhando acordada com o calor dos meus pensamentos e a subsequente evaporação das gotas de água à volta da minha chávena de chá. Pensamentos que ganham uma outra dimensão e é desta maneira perfeita que surgem os meus 8 sonhos mais desejados de se tornarem realidade. 
1. Quero ser uma excelente profissional – fazer e fazer bem aquilo que sempre quis fazer. Dar consultas psicológicas e se for com crianças ou adolescentes melhor ainda.
2. Quero ter meu consultório (pode ser na associação com outros psicólogos ou profissionais de saúde).
3. Quero aprender italiano e viajar por toda Italiana. Já estou a trabalhar na concretização deste sonho. Para além disso, gostava imenso de viajar por toda Europa, ilhas do Caribe (especialmente Barbados), Índia e Tailândia.
4. Quero aprender a tocar guitarra.
5. Quero casar com a pessoa que amo – constituir uma família sobre pilares fortes de amor incondicional, compreensão, tolerância e ter dois magníficos filhos (uma rapariga e um rapaz) – os nomes ainda não sei, depois vê-se Zlati. Ahahaha…
6. Quero voltar algum dia ao meu país e recorrer todos os passos da minha infância.
7. Quero subir à cima de uma montanha, gritar e sentir o eco da minha voz seguida por uns sorrisos cúmplices.
8. Por último, quero aprender a transmutar qualquer negativismo e ser feliz desfrutando ao máximo da minha vida profissional, familiar e pessoal.
9. …. 
Quem não sonha não vive intensamente o seu dia-a-dia.. Adoro sonhar acordada!

sábado, 22 de novembro de 2008

Memória Vs Odor


Muitas experiências têm uma curta duração, mas podem muito bem ter efeitos duradoiros. O melhor em alguns casos ou pior noutros é que certas experiências do presente podem transportar-nos para essas memórias perdidas com apenas um abrir e fechar de olhos. Muitas vezes, acontecimentos que julgávamos perdidos para sempre ressuscitam provocando frequentemente emoções muito vivas e poderosas. Uma coisa tão simples como certos cheiros e aromas podem transportar-nos instantaneamente para o passado, levando-nos a recordar e a reviver arrebatadamente os sentimentos associados a esse odor particular da nossa infância.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Trabalhar sob pressão..


Detesto ter que trabalhar sob pressão. Detesto fazer trabalhos e ter que estudar com uma bomba de tempo às minhas costas.. Quem me conhece sabe perfeitamente que para conseguir fazer as coisas bem preciso do meu tempo e do meu espaço. Preciso concentrar-me sem estar preocupada com mil coisas – detesto pensar que não há outra forma de se realizar as coisas que não sejam sempre com o stress que caracteriza à maior parte dos indivíduos nesta sociedade. Levamos ritmos de vida diversificados, isso é certo.. devemos estar à par de muitas coisas em simultâneo, mas devemos estar conscientes que tudo tem o seu limite. É nestas alturas que me questiono se os resultados académicos e profissionais seriam os mesmos se de facto se incentivassem outros princípios de estudo e realização. Concordo plenamente com o “trabalho” e a “avaliação” mas até que ponto estarão a avaliar efectivamente às capacidades e os conhecimentos dos alunos? Até que ponto a percepção que temos do nível de exigência não terá mais a ver com a própria impossibilidade de organizar o tempo e não tanto com os conteúdos programáticos e estruturais de cada cadeira? E ainda por cima encontramos aqueles professores que ficam à espera que assistamos as aulas com entusiasmo (mesmo quando não estamos a conseguir acompanhar o seu ritmo). Tantas coisas para fazer e basta apenas questionar-se e ver de que lado está inclinada a balança..  

domingo, 16 de novembro de 2008

Saudades..

Ontem voltei a reconhecer aquela doce sensação de ter uma animal de estimação em casa.. é curioso como nós (seres humanos) não conseguimos deixar de socializar em nenhum momento. Sempre arranjamos formas alternativas de passar algum tempo com alguém. Sim, por uns minutos lembrei-me o que era descer as escadas da minha casa e sentir alguém à minha espera; sempre no mesmo sitio e com o mesmo entusiasmo. Não existia um único dia em que não me sentisse alguém importante para aquele ser.. Sempre fazia uma festa ao chegar alguém à casa. Pela sua constituição física todos tinham medo de se aproximar, mas era extremamente expressiva e possuía um olhar vigoroso. Brincalhona como ela só existia uma, a minha "linda". Verdade seja dita, quando temos animais de estimação parte do nosso tempo passa ao lado deles; na sua companhia, no aprender em conjunto, nas brincadeiras que as vezes não têm fim.. é ter um óptimo estado anímico sempre!! As experiências que vivemos com eles vão aos poucos tornando-os parte importante nas nossas vidas. Senti saudades das minhas lindas Doberman’s ao ver a minha amiga com o seu Husky Siberiano. Que saudades.. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Adoro a nossa dança...



Com uma rápida e justa flexibilidade muitas pessoas são capazes de dizer: “estou apaixonado(a)… de ti” sem saber o que isso realmente significa.. Penso que é por isso que existem cada vez mais corações solitários que esperam encontrar alguém capaz de compreender o que isso significa. Mas será que nós (seres humanos) sabemos o que significa estar apaixonados? Será este termo relativo? Por mais ridículo que possa parecer, penso que estar apaixonados não é o mais difícil; reconhecer e agir em função dessa “paixão” é o que pode ser mais difícil para alguns. Quando sentimos que estamos apaixonados devemos complementar e dar um sentido diferente às nossas vidas. Devemos aprender a regular e a integrar as nossas emoções (tanto positivas como negativas); isto de modo a que na nova matriz relacional exista um funcionamento parcimonioso. É como um TANGO – uma dança que resulta harmoniosamente equilibrada quando dois estão em sintonia. Será que todos encontramos um bom parceiro(a) para dançar? Penso que são inúmeros os factores que cada um pode privilegiar num parceiro(a) e não pretendo ser reducionista ao apresentar a minha lista de critérios. A questão que se coloca é: como saber se estamos realmente apaixonados(as)? Considero que há timings na relação que vão permitir chegar a essa indicação. Basta apostar eficazmente na relação.. Há experiências na diáde que vão perfeitamente configurar a emoção e a representação que vamos ter do outro. Uma configuração que nem sempre apenas depende de nós e da matriz em que estamos mas também da nossa querida amiga a “oxitocina”. É da associação de múltiplos factores que surge aquilo que muitos chamam ou designam “paixão”. Eu particularmente me atrevo a dizer que a partir do momento em que, metaforicamente, não somos capazes de dançar bem com o nosso parceiro, a “paixão” começa a diminuir e/ou incluso morrer.
Adoro dançar contigo…
Sempre nel mio cuore!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Have a little faith in me..

When the road gets dark
And you can no longer see
Just let my love throw a spark
And have a little faith in me
And when the tears you cry
Are all you can believe
Just give these loving arms a try
And have a little faith in me
And
Have a little faith in me
Have a little faith in m
eHave a little faith in me
Have a little faith in me
When your secret heart
Cannot speak so easily
Come here darling
From a whisper start
To have a little faith in me
And when your backs against the wall
Just turn around and you will see
I will catch, I will catch your fall baby
Just have a little faith in me
Sung over fade:
Well, Ive been loving you for such a long time girl
Expecting nothing in return
Just for you to have a little faith in me
You see time, time is our friend
cause for us there is no end
And all you gotta do is have a little faith in me
I said I will hold you up, I will hold you up
Your love gives me strength enough
So have a little faith in me

"Há dias em que precisamos ouvir músicas como estas.."

domingo, 9 de novembro de 2008

Persistência..

 
Persistência é o que nunca deve faltar. Neste dia de Inverno frio estaladiço cessam os “Não sei”. Que deprimente quando acordas de manhã pensando naquilo que queres e de repente surge um GRANDE “não sei” – fartei-me disto, fartei-me de dizer “não sei” ao que pode ser um GRANDE “sim”. Como nas grandes coisas na vida, tudo depende de tudo.. Como resolvo o paradoxo quando de facto não se encontram respostas diferentes a um “não sei”? Neste Inverno o meu corpo frio fica submerso na queda de água quente da minha imaginação; os problemas que me levam a dizer “não sei” são agora Icebergs que se derretem e fluem como um rio. São muitas as possibilidades que dissipam a resposta, mas desta vez a minha resposta é apenas uma. É desta vez que quero dizer “SIM”; não quero desistir e não pretendo baixar a cabeça fazendo de contas que não interessa. O meu melhor lema agora é seguir em frente…

sábado, 8 de novembro de 2008

Solidão..

 
A solidão toca novamente à minha porta.. os pensamentos mergulham no silêncio de um Inverno quebradiço. Os dias passam e com eles a sensação de lentidão permanente. Minutos que adoram morrer coadaptados à uma única perspectiva. Solidão, perfeito momento para encontrar a perspectiva perdida.. Tempo, preciso de ti.. preciso que acabes sem eu me aperceber e que comeces esperando algo mágico no fim! Tempo na desorganização coerente do meu estar. Silêncios.. uma mente escura. Súbitos segundos de coeso silencio com súbitos fios brancos desgarrando e limpando a escura sensação da velocidade do tempo. Presente que obriga estar mais atenta aos sinais e movimentos desconhecidos. Ponto de ebulição na solidão que toca harmoniosamente no tempo..