quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eis que chegou o momento...


De vez em quando adoro ter um momento assim… algum instante para encontrar-me comigo mesma, descobrir aquele cantinho dentro de mim capaz de me dizer o que está certo e o que está errado. Descobrir algures as emoções, sensações e pensamentos mais remotos. Pôr tudo cá para fora, pôr tudo num balde de água fria, afogar o que está errado e navegar sobre isso mesmo para continuar a fazer, sentir e pensar o que está certo. É momento de apagar o fogo da raiva; expressar a felicidade de alguma maneira (uma pintura com acrílicos parece-me bem) - sentir as pinceladas molhadas de pigmentação, de cor e vivacidade - ; chorar se for sentida a tristeza, deixar cair o ácido que amarga a alma e não deixa viver.
É assim como o dia acaba, com uma chuva a cair incessantemente, eu dentro de casa como as velhinhas (pijama de inverno, chá vermelho bem quente, música suave de fundo e uma lâmpada a meia-luz que acompanha um incenso de pétalas de rosa com mel). Lápis e papel são os meus melhores aliados, é hora de escrever e reflectir!
Eis aqui minha conclusão do dia:
Por vezes tento ir à velocidade da luz e não consigo. É frustrante não conseguir! Mas sabem o que me faz sentir melhor? Fico a pensar que afinal de contas somos partículas minúsculas e insignificantes, quando comparados com a imensidade do sol. A nossa incapacidade de ir a sua mesma velocidade é perfeitamente compreensível. "Nós” (seres humanos) somos inconformistas, queremos sempre mais e mais… queremos estar sempre em tudo, conhecer de tudo e fazer de tudo ao mesmo tempo! Queremos, incluso quando sabemos que isso é impossível. Parece que ter uma vidinha sossegada e tranquila já não é o alicerce que mais importa actualmente. Parece que vivemos numa luta constante para ver até que ponto somos capazes de ir mais rápido.. Cansei-me disso... Cansei-me de ir a uma velocidade que é imcompatível com o meu próprio bem-estar. Se um pássaro é capaz de levar uma vida sem stress, toda cheia de paz e calma, porque nós também não?
Eis que chegou o momento que tanto desejei
desde há um mês atrás... Um momento só para mim!
Ser e estar como um verdadeiro pássaro! Experimentem :)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para começar bem a semana...

Ontem foi um dia para descansar e aproveitar de um bom filme! Algumas mudanças nos planos previstos para ontem deram por mim a fazer uma excelente escolha... Sem ver os trailers, por primeira vez, aventurei-me a uma sessão cinematográfica em boa companhia. 
Aconselho vivamente ver o filme. Um jornalista Steve Lopez vê Nathanlel Ayers a tocar de forma tão sentida o seu violino de duas cordas no Skid Row de Los Angeles e fica estupefacto. A princípio, é atraído pela oportunidade de fazer dele o tema de mais uma das suas colunas para o Los Angeles Times, mas o que descobre sobre o misterioso músico das ruas deixa-o fascinado. Há trinta anos, Ayers tinha sido um promissor aluno de contrabaixo da Juilliard School até que foi vencido por um esgotamento mental. Cá para mim esquizofrenia! Quando Lopez o encontra, Ayers está sozinho, profundamente perturbado e desconfia de toda a gente, mas ainda é possível vislumbrar nele resquícios desse brilho. Os dois homens aprendem a comunicar através da música. A sua amizade vai passar por momentos dolorosos, pois Lopez imagina-se capaz de convencer Ayers a abandonar as ruas de Los Angeles.
Com este filme aprendi que muitas vezes apesar de não estar sob as melhores condições quer físicas, quer mentais somos capazes de continuar a brilhar fazendo o que mais gostamos! Simplesmente adorei o filme.. aconselho vivamente, vale a pena!

sábado, 17 de outubro de 2009

Um momento!



Há momentos que parecem curtos mas que na verdade permanecem durante muito tempo na nossa mente. São momentos eternos e com um significado especial… Hoje foi um desses momentos. Momento de aproximação instintiva, de olhar cativante e sorriso de cumplicidade. Um momento simples, inesperado e carregado de energia. Tal como tu e eu! Minutos intensamente vividos, sangue percorrendo as veias com um autêntico fervor, mistura de euforia e respirar passivo. Um momento com sentido próprio no meio da confusão… Ligação mágica de lábios que entregam e recebem de olhos fechados a autenticidade de um instante desejado. 
Porque há momentos que valem mais do que uma eternidade!
Porque há momentos que são únicos e que permanecem...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

16 de Outubro!


Não faço questão de perceber qual o motivo principal de hoje ter sido um excelente dia. A data em si já me aguardava um dia especial para compartir a dois. Um dia imerso em tantos momentos anteriores e colapso em desejos entre cruzados nos olhares de alguma eterna adoração. É um dia que aumenta incessantemente a nossa expectativa de um caminho ainda por descobrir. A retrospecção deste 1º ano e poucos meses ganha vida quando olho para atrás e visualizo as fotografias. Aquelas mesmas fotografias que ilustram em um “flash memorial” toda uma evolução. Increívelmente, através delas consigo aceder aos ápices de um trabalho contínuo; consigo ver o resultado final dos momentos gratificantes marcados por uma profunda compreensão, dedicação, delicadeza e amor mútuo inarrável. Uma história que começa quando aparentemente tudo estava perdido, é um começo com data específica mas com um fim indefinido...

Se tivesse que pedir um desejo, o meu único desejo é que, mesmo nos momentos mais difíceis, a chama desta luz continue sempre acesa.
Desejo mais do mesmo!
Simplesmente, que não existam margens para criar faltas nem de um lado, nem do outro. Desejo firmemente que nos momentos de maior solidão acreditemos que existe “algo”, mais além da nossa própria percepção, capaz de estar sempre ao nosso lado; algo invisível que continua existindo para dar-nos o apoio e a força que mais precisamos.

Porque hoje é um dia para memoriar..
Hoje quero desejar mais do mesmo!

Fim-de-semana!



Há coisas que por vezes me deixam de boca aberta. Eu não percebo porque algumas pessoas com boas capacidades para desempenhar, desenvolver e concretizar as suas próprias ideias acabam aproveitando-se das ideias dos outros. É porque é mais fácil? Poupa-se tempo? Ganha-se menos esforço?
Desde o inicio tem sido um autêntico desafio encaminhar a minha tese. Por diferentes motivos sempre encontro obstáculos que me impedem seguir em frente. Esta semana, a proposta do ano: “fazer a minha recolha dos dados em parceria com “alguém” que não conheço de lado nenhum, que não tem a mais remota ideia do trabalho que eu tive que fazer até agora e que ainda por cima não estava a propor nada de novo para o seu estudo”. É giro, não é?
Foi esta a proposta:
"Tenho uma boa notícia para si! Aqui esta o X, quer fazer um estudo muito parecido ao seu. Tal vez poderiam ajudar-se mutuamente, fazer uma recolha de dados em conjunto, utilizar os mesmos questionários, a mesma amostra, a mesma metodologia e depois no fim fazerem análises diferentes dos resultados. Pode apresentar ao X aquilo que já tem feito!"

Devo dizer que fiquei sem palavras depois desta introdução, mas lá fui eu.. expliquei o que tinha feito e apresentei o meu estudo ao X da melhor forma possível, mas com toda a indignação que possam imaginar - no meu interior só pensava - Isto só me acontece a mim!
A famosa reunião acabou mais depressa do que esperava e no fim troquei algumas impressões com o “X”. Perguntei directamente o que é que ele pretendia estudar? Quais os instrumentos que queria aplicar? Qual a pesquisa bibliográfica que tinha feito? Quais os seus interesses?
O fantástico disto tudo é que o X não tinha nada em mente, não fazia remota ideia o que queria estudar e achava demasiado “giro” o que eu já tinha decidido estudar. Além disso, colocou as suas condições desde logo - "eu trabalho até às 16h, mas depois dessa hora podes contar comigo para irmos às escolas, fazer a recolha dos dados e encontrar-nos para tudo o que seja preciso" - Digam-me, é giro, não é? Agora só me pergunto, afinal quem é que, tendo em conta estas condições, iria trabalhar mais, ele ou eu?
Afortunadamente consegui dizer “não” a esta proposta absurda. Quem é que acha que se podem fazer duas análises diferentes se ambos estudamos exactamente as mesmas variáveis, da mesma forma e com os mesmos instrumentos? Isto não faz sentido para mim, é um absurdo!! Tantas coisas que se podem estudar e ele queria fazer algo exactamente igual. Não era para aproveitar-se de mim? Sejam sinceros...
Finalmente chegou o fim-de-semana e posso começar por dizer que mais da metade dos obstáculos que tinha no inicio agora são apenas parte de uma longa história para contar. A boa noticia para este fim-de-semana é que já tenho a autorização do Ministério de Educação para avançar com a recolha dos dados nas escolas públicas e que, após o ridículo desta semana, irei continuar sozinha na minha tese sem a colaboração do X.
Bom fim de semana! :)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

É giro, não é?

Se tivesse que descrever os últimos dias numa palavra eu diria "Sobrevivência".
Por incrível que pareça tem sido um autentico desafio à minha sobrevivência estas últimas semanas. Isto de estar a pedir autorização nas escolas do ensino português para passar inquéritos e questionários tem muito que se lhe diga. 
Primeiro, para quem não está informado e falsamente iludido, esta não é a tarefa mais fácil que alguma vez pensei que poderia ser.
Segundo, concordo plenamente com os parâmetros que existem actualmente para garantir a qualidade dos questionários que se passam por diversos motivos nas escolas; pois muitos desses questionários não possuem uma validação à população portuguesa e até carecem de propriedades psicométricas adequadas para serem utilizados. Mas e que me dizem dos instrumentos que já passaram por mil processos para ficarem validados e com boas qualidades psicométricas? O Ministério de Educação (e ainda bem), pensou na sensibilidade desta questão apresentado algum rigor para o trabalho que deve ser dado à recolha de qualquer tipo de informação nas escolas, mas esqueceu-se de uma coisa muito importante. Esqueceu-se de que há instrumentos que já passaram por muitos processos de qualidade e que este tipo de requalificação só dificulta a vida de quem tem prazos para cumprir numa Tese de Mestrado... 
Terceiro, quem está deste lado a fazer um estudo com princípios eticamente correctos sabe perfeitamente que não é nada justo ser "mal-tratado" pelas próprias instituições de ensino, simplesmente, por desconhecer quais os procedimentos burocráticos que devem ser seguidos. 
Nesta semana tive uma dose de insensibilidade por parte de um director mal-educado, que depois de tanto dizer que não estava disponível, finalmente decidiu atender-me para descarregar comigo toda a sua irritação e mau génio. Sim, amigos por incrível que pareça não fui atendida como eu esperava e apenas me viu encarregou-se de posar sobre a secretaria montes de papéis, fazendo questão para eu ver quais as leis que existem e que "devem" ser cumpridas neste pais. Ahh.. e além disso, bastou um comentário para desqualificar-me como pessoa, sublinhando que "eu", estudante de psicologia, devia saber "estar" melhor informada. Fiquei verdadeiramente de boca aberta :O
Agora, só me restam falsas esperanças coladas no tecto do meu quarto para conseguir a autorização pelo Ministério de Educação (com algum tempo de manobra) para poder aplicar questionários nas escolas. É giro, não é?

domingo, 4 de outubro de 2009

A história da Joana...

Hoje quero contar-vos a história de:
Joana, uma criança de apenas 11 anos de idade que gostava de ver as revistas  que a mãe comprava, lia cuidadosamente todas as dicas sobre saúde e beleza. Há alguns meses atrás a J. começou a sentir-se infeliz com seu aspecto, comparando-se constantemente com as lindas modelos das revistas. Numa linda manhã a J. passou a anunciar publicamente aos pais que estava demasiado gorda e que ia começar a fazer dieta. Os pais não levaram esta proclamação muito a sério, pensando erradamente que a Joana seria incapaz de manter uma dieta. Aos poucos dias os pais começaram a ficar aborrecidos pela forma como a filha escolhia todos os alimentos e participava na sua preparação. De facto, a Joana ficava zangada e perturbada sempre que a mãe cozinhava enquanto ela não estava; esta situação levou aos pais ficarem cada vez mais preocupados, parecendo mais fácil deixá-la fazer o que queria do que apreciar os gritos e discussões que começaram a ter lugar todos os dias à noite. Actualmente, J. ajuda a servir as refeições, mas come muito pouco; faz comentários negativos sobre si própria; procura pesar-se duas ou três vezes por dia e qualquer encorajamento por parte dos pais para comer mais comida acaba em birras e lágrimas acompanhadas por gritos: Sou demasiado gorda, sou um nojo!
Este exemplo mostra como as crianças podem sofrer desde muito cedo problemas alimentares graves, que se manifestam essencialmente pela preocupação extrema com o peso e a imagem corporal, uma visão distorcida do seu corpo e uma opinião muito negativa de si próprias, para além de se alimentarem de forma inadequada. É de notar que as crianças com esta problemática são cada vez em maior proporção, são crianças com uma tendência perfeccionista e com uma inclinação para alcançar objectivos muito exigentes, trabalhando duramente para os alcançar. Contudo, este tipo de comportamentos alimentares não têm muita lógica, são as crianças que pensam que são gordas quando são magras e sentem que são fracassos quando, frequentemente, têm êxitos. 
(A boa noticia é que Joana está actualmente a receber ajuda para tratar este problema alimentar... A recuperação é gradual, um processo dolorosamente lento para quem a vê cada vez mais magra e com uma visão distorcida da realidade...)   

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Respirar fundo..

Se já no ano passado estava prestes a perder a minha vida social, este ano é que vai ser por completo. Agora nem tempo para um café no meio da tarde... os minutos evaporam-se no tempo e passam a uma velocidade quase imperceptível. É apenas uma ilusão, eu sei.. vemos o tempo andar mais depressa do que nós próprios e isso assusta-nos terrivelmente! 

Há poucos dias comecei formalmente o ano lectivo, algo muito diferente dos outros anos, trata-se do último ano no curso de Psicologia. Tese e estágio... Com apenas uns dias de ter começado já tenho imensas coisas para tratar, escrever, fazer, ler e principalmente organizar. Se alguém entrar no meu quarto nesta altura ficaria tão escandalizado quanto à minha mãe. Parece que a vida de um estudante no seu último ano de Psicologia é assim mesmo.. é um ano que de certeza absoluta os melhores ensinamentos serão aprender a respirar fundo vezes sem conta! Admito que sou lenta e tenho muita paciência, mas gosto de levar as coisas ao meu próprio ritmo e quando as coisas andam mais lentas do que eu, isso desespera-me ainda mais do que qualquer outra coisa. 

Hoje foi um dia que começou ao contrário e acabou
exactamente ao contrário.. 
um dia para desesperar, emocionar-se e desiludir-se
Detesto este jogo nas minhas motivações que
por vezes deixa-me sem forças!