sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Historia...

São Vicente - Braga
Há quem defenda que recordar é uma necessidade fundamental, há quem defenda que, pelo contrário, recordar é só uma perda de tempo.  Será que existem pedaços da nossa memória que ficam para sempre num lugar seguro e protegido? Terá algum sentido guardar estas memórias num lugar tão íntimo na nossa cabeça? Para que? O que é que ganhamos com isso? Será melhor ter que pensar no nosso momento actual e em mais nada? Qual é a vantagem deste jogo sujo de palavras, pensamentos e memórias? Será que de facto é um jogo sujo ou será simplesmente um jogo que temos que saber jogar? Existem regras neste jogo? Quais são? Comecei a perceber ao longo da muitas reflexões que vale a pena lembrar os diferentes episódios da nossa vida, porque são eles o que te fazem a pessoa que és hoje em dia. Tanto dos episódios tristes como dos episódios mais eufóricos e emocionantes acabamos por aprender e retirar deles o mais marcante, o mais significativo, o mais doloroso, o mais emocionante, o mais feliz e,  muitas vezes, o mais especial. Estas experiências nos ajudam a lidar de forma diferente com as situações presentes. Uma história, tal e como a concebemos está carregada de uma impressão emocional, de personagens altamente marcantes e de contextos bastante específicos. Frequentemente é uma forma não diferenciada da nossa memória a que contém este tipo de informações. Este conjunto de componentes semânticos, detalhes sensoriais e perceptivos (táctil, gustativos, visuais, etc.) são essenciais para uma melhor compreensão do que já passou e do que pode vir acontecer. É semelhante ao flash da máquina fotográfica quando é accionado, permitindo-nos preservar tudo o que é iluminado naquele instante. São estas memórias que constituem a nossa própria história de vida e não são intencionalmente retidas, simplesmente, são retidas. A única verdade é que todos nós temos estes dispositivos responsáveis de captar quantidades enormes de informação e, quando isto acontece, o quadro em branco que tanto defendia Locke já não existe, ou seja, começamos a ganhar diferentes cores e traços de experiência que, posteriormente, vão determinar a nossa forma de pensar perante qualquer situação. 
O importante é que por fortuna ou não só conseguimos lembrar-nos daquilo que nos marcou e nos deixou a sua impressão gravada, literalmente, somos funcionalmente como uma câmara de filmar, capazes de gravar cada instante e atribuir ainda algum significado importante a esse instante na nossa vida.

Mil palavras não poderiam dizer, de forma resumida, a história de toda uma vida. 
Mas mil palavras poderiam valer mais do que nenhuma delas

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